Saturday, January 14, 2006

Ainda existirá amor de perdição?

"Viram-na, um momento, bracejar, não para resisitir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe atirou aos braços. O comandante olhou para o sítio onde Mariana se atirara, e viu, enleado no cordame, o avental, e à flor da água, um rolo de papéis, que os marujos recolheram na lancha. Eram, como sabem, a correspondência de Teresa e Simão"
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição)

Thursday, January 12, 2006

Vota na LIBERDADE outra vez - Vota Mário Presidente 3


A sondagem da TVI de hoje deixa o professor Cavaco Silva a pouco mais de 1% de ganhar as eleições à primeira volta e coloca os candidatos Mário Soares e Manuel Alegre técnicamente empatados. Claro que temos que ter em conta outras sondagens que nos sugerem números muito piores para as candidaturas democratas de esquerda.
Resta concluir que é impossível haver tanta disparidade entre sondagens e que a verdadeira decisão está na mão dos portugueses, que dia 22 vão decidir qual será o melhor presidente para assegurar a estabilidade política no nosso país e o regular funcionamento das instituições.
Faço apenas um apelo para que todos votemos no candidato com mais experiência, com mais projecção internacional para representar o nosso país, naquele que melhor sabe ouvir e unir os portugueses e que já deu provas que consegue levar o nosso Portugal a um bom porto.
Vota Mário Soares!

A Liberdade não morre solteira

Sendo este o meu primeiro post no blog, quero em primeiro cumprimentar todos aqueles que o lêem e assumir o compromisso que tentarei tanto quanto me for possível escrever com assiduidade e com pertinência.

Vou deixar aqui apenas uma pergunta.

Porque é que sempre que a comunicação social, especialmente a imprensa escrita sempre que fala dos gastos desta campanha presidencial, mostra sempre imagens da campanha de Mário Soares, quando o candidato que gasta mais nesta campanha é Cavaco Silva?

Wednesday, January 11, 2006

Trabalho de Ciência Política e Direito Constitucional sobre a obra "A Student's Guide to Political Philosophy" de Harvey C. Mansfield

João Gomes Ferreira de Almeida
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Turma A / 1


“Não dizemos que um homem que não revela
interesse pela política é um homem que não
interfere na vida dos outros; dizemos que não
interfere na vida.”

(Oração fúnebre de Péricles, in Tucídides,
História da Guerra de Peloponeso, 147)


Quando analisamos a obra “A Student’s Guide to Political Philosophy” temos que, em primeiro lugar, ter em conta que se trata de um manual de estudo de filosofia política e não de ciência política, como tal, não existe uma intenção objectiva de incutir nos estudantes qualquer tipo de ideologia, ou até, dos levar a compreender qual é a melhor forma de pensamento político e consequente modo de governação do estado. Prova disto mesmo é o pensamento do filósofo Kant, um dos melhores da história da humanidade, que afirmava: “De mim não aprendereis filosofia, antes como filosofar, não aprendereis pensamentos para repetir, mas antes como pensar”.
O objectivo único deste guia é expor de forma sintética os pensamentos de alguns dos grandes pensadores que marcaram a evolução do pensamento político e que se tornaram responsáveis, indubitavelmente, pelas maiores proezas atingidas no nosso século, mas também pelos maiores desastres. Como tal, encontramos exposições que vão de autores clássicos como Platão, Sócrates e Aristóteles, passando por autores medievais como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino e culminando em autores como Roussseau, Hobbes e Marx.
Torna-se importante referir que, na maioria dos casos, se torna redutor a análise feita por Harvey C. Mansfield a alguns dos autores que nos são apresentados. A título de exemplo é importante referir que um bom estudante de filosofia política, nunca poderá ter uma visão abrangente do pensamento comunista de Karl Marx e Frederich Engels socorrendo-se exclusivamente das ideias que nos são apresentadas, tal como não faz qualquer sentido abordar esta temática sem nos socorrermos de outros autores posteriores aos mesmos para que possamos compreender a evolução do pensamento comunista. Falo pois de Bernestein e Kautsky precursores da social-democracia, de Leon Trotsky precursor do pensamento da “revolução permanente” marxista e até mesmo Keinz que lançou a concepção de “Estado Social”, responsável por grande parte da evolução dos estados ocidentais e que hoje se encontra em risco pelas novas doutrinas liberais que reclamam a anulação total e letal do estado e o consequente aumento da disparidade económica entre as classes sociais.
Não querendo fazer deste trabalho um resumo da obra que acabamos de ler, gostava de frisar, que já Aristóteles dizia que “o homem é um animal político” e que esta ideia continuou a ser defendida e difundida por inúmeros pensadores, até aos dias de hoje. Para comprovar esta afirmação basta analisar a frase de um dos maiores poetas, combatentes e mestres do teatro da história da humanidade Bertolt Brechet: “o pior ignorante é o ignorante político, não sabe o imbecil que é da sua ignorância que nasce a prostituta”. Não querendo satirizar a situação, posso provar a justeza destas afirmações e ir mais longe ao dizer que, sem sombra de dúvidas, o homem é obrigado a viver, na minha opinião, sobre tutela de um estado e de uma sociedade eminentemente política. Comprovou-nos Hobbes com a sua análise ao estado natureza (que pré-existe a sociedade) e também o próprio J. J. Rousseau, embora com visões bastante diferentes do mesmo. De salientar que o pensamento de Hobbes precede e em parte advém do pensamento de Maquiavel para quem uma pessoa só detém o poder ou através da adoração ou sendo temido. Todo este pensamento encontra-se descrito no livro colocado para análise e começa com Hobbes, passa por Kant e Locke e termina com Rousseau e Nietzsche, este último, precursor do conflito da natureza contra a razão.
No fundo, durante todo o livro, apontam-se caminhos que foram traçados por diversas personalidades da história do pensamento universal. Enunciam-se autores e explicam-se teorias e concepções políticas da sociedade e procurar-se sintetizar a filosofia política. Todos estes ingredientes, a precisão da escolha dos autores abordados e como não poderia deixar de ser, a inevitável, sequência histórica que nos é apresentada, tornam este livro uma preciosidade para a melhor compreensão das teorias políticas da filosofia normativa.



“Todos os filósofos que investigaram os fundamentos da sociedade sentiram necessidade de retroceder até um estado de natureza, mas nenhum chegou lá […]. Em suma, todos eles, insistindo constantemente em necessidade, avidez, opressão, desejos e orgulho, transferiram para o estado de natureza ideias que foram adquiridas em sociedade. E, assim, em vez de falarem do selvagem, descreveram o homem social”.

(Rousseau, Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, 50)

O país em que vivemos...

De alguns tempos para cá venho tomando consciência do país que temos... Infelizmente, nem tudo é como gostamos e por vezes temos que admitir que ainda muito há a fazer para mudar algumas «cabecinhas» de uns quantos portugueses que ainda teimam em viver no Antigo Regime.

A concepção de que uma pessoa por ter 81 anos de idade tem que estar em casa a cuidar dos netos, de fraldas e na cama a dormir, é a confirmação de que o povo português ainda não evoluiu totalmente as suas maneiras de pensar. Estranho porém, é ver-se inclusive, pessoas de igual idade ou superior, a tecer de forma ofensiva considerações acerca dessa concepção.

Para mim, nesta campanha presidencial, ganham pontos os jovens, que têm olhado de uma maneira diferente para o Dr. Mário Soares. Seria normal que os jovens fossem os primeiros a dizer que não se encontravam representados numa pessoa de 81 anos mas, pelo contrário, são aqueles que nas ruas mais o estimam e creio que essa estima não virá por certo do fruto da idade, mas sim, do facto de saberem que naquele candidato existe um pensamento sobre tudo e sem qualquer tabú.

O vencedor, mesmo que derrotado nas urnas, será sempre o Dr. Mário Soares, pois ficará para a história como alguém que enfrentou o preconceito da idade quando o único objectivo e razão que tinha para lutar era: Portugal.

Sunday, January 08, 2006

Saudade de Jorge Sampaio.

Numa altura em que apenas o futuro da Presidência da República é discutido, vimos a terreiro fazer a apologia do Presidente cessante. Em tempo de passagem de testemunho, é lugar comum em Portugal esquecermo-nos do Rei Morto, sendo useiro e vezeiro lançar os holofotes sobre quem terá o poder, em detrimento de quem cessa a sua posse.
Pelo Presidente que foi, Jorge Sampaio merece todos os holofotes do País. Escrevemos sobre ele para que jamais seja esquecido, porque durante esta campanha, mais do que pensar em quem votaremos, algo que decidimos bem cedo, temos pensado na falta que nos faz nesta eleição, um Homem como Ele em quem votar.
Adiante. Amiúde criticado, Sampaio foi para nós o melhor Presidente da República de Portugal até aos nossos dias. Foi um verdadeiro Chefe de Estado, na acepção Constitucional da palavra, aquela que é importante cumprir e que tão mal tratada tem sido, pois é a Lei Fundamental que nos deve orientar, e não os instintos passageiros e conjunturais.
Homem culto e que o soube ostentar sempre que necessário, cultor da língua portuguesa, sensível (por vezes até demais) aos problemas dos portugueses. Desde cedo demonstrou as suas enormes preocupações com as vítimas da sociedade dos tempos modernos, quando da sua participação na Comissão Europeia dos Direitos do Homem no Conselho da Europa, onde realizou um importante trabalho na defesa dos Direitos Fundamentais.
Portugal, sociedade e cultura são três palavras que conjugadas definem aquela que foi a sua actuação. São no nosso entender estas que devem orientar um Presidente da República, e da sua concretização deriva a nossa admiração pela Pessoa aqui retratada. Soube debruçar-se sobre o País, sobre o País real. Mais do que viajar lá fora, viajou cá dentro, deu a conhecer as pessoas e as tradições, promoveu Portugal e os seus problemas, a sua sabedoria e a sua elegância.
Mas não se limitou a aquém fronteiras. Porque o Presidente da República representa também parte importante da política externa de Portugal, Jorge Sampaio foi exemplar lidando com o problema da independência de Timor-Leste, alcançando um plano de destaque na política internacional.
Foi nos seus mandatos que terminou a tradição de a Presidência da República ser uma fonte de problemas para a estabilidade do País o dos Governos. Depois das sagas do General Ramalho Eanes e de Mário Soares que muitas vezes actuaram como forças de bloqueio, Jorge Sampaio, com uma postura construtiva, séria e sempre credível, marcou a diferença para aquela que era neste campo, a triste história recente de Portugal. Na única questão polémica, estamos certos que Sampaio agiu bem ao não convocar eleições antecipadas após a resignação de Durão Barroso. Mesmo nesta situação não cedeu às pressões de toda a esquerda interna, aquela que é a sua proveniência política.
É por tudo isto que temos Jorge Sampaio como uma das figuras do início do séc. XXI em Portugal. Estamos certos que após as eleições justiça será feita, e que o actual Presidente da Republica ficará condignamente marcado na história de Portugal.
Como cultor impar da língua portuguesa, aliado a uma sensibilidade também rara, Sampaio conhece como poucos a palavra saudade, a mais portuguesa de todas e a primeira que nos vem à cabeça, quando por estes dias se nos depara o seu nome.

Luis Bigotte Chorão apoia Mário Soares

O fundador da NovaDemocracia (PND) Luís Bigotte Chorão lançou recentemente o seu apoio público à candidatura de Mário Soares à presidência da república. O famoso jurísta junta-se ao lote de portugueses que, independentemente da orientação ideológica, decidiram apoiar a única candidatura com capacidade para assegurar a estabilidade política ao nosso país.
Afinal, depois da JP renunciar o apoio a Cavaco Silva, a direita começa a ficar dividida.

Volta Portas! Tu és capaz de vencer "isto"!


Ribeiro e Castro (?)
Depois da frase: "O terrorismo provém da esquerda" este senhor mais uma vez superou-se: "Che Guevara foi um dos piores assassinos do final do século XX". O que mais me deixa estupefacto neste homem é:
1- ele existir;
2 - ele pensar que um tal CDS/PP existe.
De resto... tudo na mesma.

"Next (director) please!"


Capa do Expresso desta semana

Quero apenas aqui deixar uma nota de completo repúdio pela escolha da capa do Expresso desta semana. Mostrando uma parcialidade e mesmo cumplicidade a que já nos habituou, este semanário (que tanto vende em Portugal) subverte completamente a noção jornalística de independência e imparcialidade a todos os níveis... semana após semana.
O que é mais triste é que esta situação acontece no seguimento de declarações de Mário Soares criticando a comunicação social e o modo como têm conduzido a pré-campanha eleitoral, sendo seguidas de exclamações indignadas do "patrão" do Expresso, esse sr. Pinto Balsemão. Não há coincidências!

2 semanas para salvar Portugal


Estamos a duas semanas das eleições presidênciais, esperemos que todos os humanistas e democratas se unam para que os portugueses levem Mário Soares à segunda volta.
Lembro as palavras de hoje de Medina Carreira, que em campanha pelo Professor Cavaco Silva, disse que o humanismo não resolve os problemas económicos do nosso país. Talvez seja preciso lembrar à candidatura do PSD , 1/2 PP e 1/4 da JP que foi a falta de humanismo do então primeiro-ministro Cavaco Silva que levou à degradação do nosso ensino e à ploriferação de betão, em detrimento da saúde, habitação jovem e educação.

Wednesday, January 04, 2006

Crónica de uma morte anunciada

Este poema tem uns anitos, mas hoje veio à conversa no bar da FDL e lembrei-me do partilhar, afinal faltam apenas 5 dias para fazerem 3 anos que morreu esta figura da esquerda portuguesa.

(sobre o falecimento de João Amaral 10/01/03)


“Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta;
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.”
José Carlos Ary dos Santos


Foi já durante a noite
Que a notícia chegou,

A morte havia calado mais um
Camarada de sonho,

Calou-se hoje a voz
De quem pela consciência se regeu,

O destino tirou a vida
A quem a tudo resistiu,

Arrancaram hoje,
Mais uma pétala ao rubro cravo de abril,

Morreu o homem, mas não a obra
Foi-se um rosto, mas não a luta.

Nada mata o sonho!


João Gomes

Da incontinência de ideias à ejaculação precoce

O nosso caro Maquiavel, lembro o contemporâneo, lançou no seio da AAFDL o debate em torno do termo "incontinência de ideias". Peculiar para muitos, invulgar para alguns e até ridículo para outros, teve um impacto inesperado no seio da academia e teve, inclusivé, lugar a destaque no nosso saudoso "Berro" tertuliano.
Mas o que tenho vindo a notar é que esta expressão começa cada vez mais a ter sentido, quando observo algumas atitudes de conhecidos meus, que insistentamente e talvez por falta de formação política, social e qui ça pessoal, insistem em ter atitudes que mais não são do que ridículas. Por vezes é preciso pensar que a amizade deve, inconturnavelmente, estar num patamar bastante elevado na nossa forma de encarar a vida e que é necessário saber solidificar a mesma e principalmente ser fiel à mesma. Para mim, a experiência de estar num grupo de amigos, ou mesmo numa organização política, mais do que um teste de sensatez e inteligência é, idubitavelmente, um teste de carácter.
Para ser realmente franco, acho que estamos a atingir patamares na sociedade moderna que ultrapassam a incontinência de ideias do Maximus Prudentium Maquiavel e fazem com que estejamos perante o fenómeno da ejaculação precoce de ideias e atitudes, que peço me permitam introduzir no vocabulário deste "em nome da liberdade".

Tuesday, January 03, 2006

Óbvio! Tão óbvio...


Instalação de Gás natural na Argélia

É muito curioso o modo como foi retratada a crise energética (de resto ainda em vigor) entre a Ucrânia e a Russia nos nossos meios de comunicação audiovisual. Foram apresentados os motivos de tensão entre os dois países e a repercussão que teria em muitos países da Europa. Mas no fim lá estavam os jornalistas com um enorme sorriso no rosto a anunciar: "Em Portugal não há este perigo, porque o nosso gás natural provém da Argélia".
_
Ah bom... fico muito mais descansado!

Pedro Nuno Santos a promessa política para 2006, segundo a Pública

Mas ainda alguém tinha duvidas deste facto?

Monday, January 02, 2006

De volta às aulas... na gloriosa FDL

"Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o por quê. Nesta universidade, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe o porquê"
Cartaz de uma universidade do Nepal

E esta hein??

Lista das preferências de Orge

Alegrias, as não medidas
Peles, as não extorquidas.

Histórias, as ininteligíveis
Conselho, os inexequíveis.

Solteiras, as jovens.
Casadas, as que enganam os homens.

Orgasmos, os não síncronos
Ódios, os recíprocos.

Domicílios, os permanentes
Adeuses, os sub-ardentes.

Artes, as não rendáveis.
Professores, os enterráveis.

Prazeres, os que exprimir se podem.
Fins, os de segunda ordem.

Inimigos, os sensíveis.
Amigos, os incorruptíveis

Cores, o rubro.
Meses, Outubro.

Elementos, o fogo
Deuses, o monstro.

Decadentes, os louvaminheiros.
Mensagens, os mensageiros.

Vidas, as lúcidas.
Mortes, as súbitas.

Bertolt Brechet


Brilhante... não?

Sunday, January 01, 2006

Até amanhã camaradas

Para conseguir olhar e interpretar a minha vida, recorro muitas vezes a um livro que achei na casa de Vale de Cambra, a "Prosa e Poesia" de Eugénio de Andrade. Mas só hoje reparei que o mesmo tinha uma dedicatória na primeira página, que diz: "Para a Ilda, com um beijo do Manel", que são os meus pais.
Agoro tenho a certeza, que mesmo indirectamente, eles também me têm ajudado, muitas vezes, a entender a vida e o amor.
Aproveito o momento, para retirar uma poesia que me ajuda a saudar todos aqueles que posteriormente a mim e ao Couto aceitaram o desafio de escrever neste "Em nome da Liberdade".

"Sim, eu conheço, eu amo ainda
esse rumor abrindo, luz molhada,
rosa branca. Não, não é solidão,
nem frio, nem boca aprisionada.
Não é pedra nem espessura.
É juventude. Juventude ou claridade.
É um azul puríssimo, propagado,
isento de peso e crueldade."

Como diz no espaço do nosso novo camarada blogger da liberdade, Pedro Vaz:

"Perguntem aos jovens, eles sabem sempre tudo" (Provérbio Chinês)

Abraço e bom 2006 para todos!

Mais de 1000 populares no Mercado da Ribeira para desejarem Bom Ano Novo a Mário Soares

Fiz parte das mais de 1000 pessoas que se juntaram no Mercado da Ribeira para comemorar a meia-noite com o Dr. Mário Soares. Muita alegria e confiança marcaram esta entrada num 2006 de muitas lutas e muitas surpresas, tendo o candidato deixado a seguinte mensagem a todos os portugueses:

"Um bom 2006, cheio de paz, concórdia nacional e liberdade"
Dr. Mário Soares, 1 de Janeiro 00:00

Wednesday, December 28, 2005

Tuesday, December 27, 2005

Monday, December 26, 2005

Este é o Cavaco que nós não esquecemos!

1993 - Cavaco envia polícia de choque para dispersar os estudantes de Coimbra, tempos mais tarde mais uma dura carga polícial sobre os estudantes da academia de lisboa nas escadas da Assembleia da República.

1994 - Populares organizam um mega bozinão na Ponte 25 de Abril, ao qual o primeiro-ministro Cavaco Silva responde com a mais sangrenta carga policial da história do Portugal democrático.


Com o decorrer dos dois mandatos do Professor Cavaco Silva o povo toma consciência de que os fundos vindos da CEE estavam a ser mal investidos e que a economia estava a ser muito prejudicada. Nasce então a maior greve geral do Portugal democrático onde se unem a UGT e a CGTP contra o governo de Cavaco Silva, por todo o país pintam-se murais como este.

As sondagens deixam de ser argumento...

Segundo o blog "Margem de Erro", que é totalmente imparcial, depois de analisadas todas as sondagens sobre as presidenciais podemos concluir que Mário Soares é o único candidato que ainda não perdeu um único voto e continua sempre a subir.
Quando foi com o freitas começamos com 8% acabamos com 70%! MP3 não há 2 sem 3!

Passagem de ano com o avô de Portugal

Com música popular portuguesa e africana. Inscreva-se já!Baile Popular, dia 31, no Mercado da Ribeira, Av. 24 de Julho, Lisboa. À meia-noite - passas, bolo-rei e espumante.

Reservas limitadas – 963238906 / 963238107 / aurelia@mariosoares.net

MP3 não há 2 sem 3!

Sunday, December 25, 2005

Digno do George W. Bush


'Humanismo é a luta diária de cada um para sobreviver'- Aníbal Cavaco Silva, entrevista ao Correio da Manhã, 23.12.2005 -

Saturday, December 24, 2005

Há vida para lá da política....

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Ricardo Reis

Em plena madruga de dia 24 para 25 ponho-me a pensar como existem coisas muito mais importantes do que a política, quantas vezes perdi momentos da minha adolescência e teimei sempre em crescer apressadamente, quantos copos ficaram por beber e quantas mulheres ficaram por amar, em nome de uma causa que tantas vezes se torna superior ao meu conforto e até à minha individualidade.
Mas o sonho comanda a vida! E este natal é apenas um momento de nostalgia, mas certamente existirá vida para lá da política...

Ai o soares é velho?

A juventude responde assim...

Friday, December 23, 2005

A nossa FDL está a mudar...

Parabéns ao NES da FDL e ao Pedro Silveira.

Frase do dia

Alegre mostrou, para quem quisesse ver, que a sua candidatura nada tem de fresco ou renovador. Quis preencher um espaço, assumindo-se como o candidato anti-sistema, com convicções e independente dos partidos. Mas foi tão oco e pobre nos debates que acabou por não sobrar nada dessa pretensa superioridade em relação ao sistema político. Deixou uma ideia que não o engrandece, a de que, entre Alegre e o sistema, é preferível o sistema.
[Pedro Lomba] - Diário de Notícias

Love Actually - Bom Natal


“Nada podeis contra o amor,
Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.”
(Eugénio de Andrade)


O natal não pode ser visto como nada mais do que uma conjugação perfeita do verbo amar, como ser indeterminável por força da determinação da paixão que nos invade em cada luz flamejante que decora as ruas enfeitiçadas pela agitação de todos que correm de loja em loja em busca dos últimos presentes, encontrando em cada esquina mais um sorriso e um desejo de bom natal.
Talvez esta seja a melhor altura de pensarmos que a força da natureza humana é simplesmente invencível e que urge que a humanidade continue a sonhar, que é imperativo que nunca nos esqueçamos que o sonho comanda a vida e que é possível sempre sermos melhores, darmos o melhor de nós aos outros e estarmos sempre abertos a novos desafios que nos invadem a vida e o coração de forma avassaladora e sempre inesperada.
Por mais pobreza que exista por este mundo fora, por mais problemas que nos apareçam pela frente, depois deste natal, continuará a existir vida e nada nem ninguém conseguirá calar a força do amor, da folhagem e da luz que o mestre Eugénio nos fala “Frente a Frente”. Já Ernesto Guevara de la Sierna nos dizia que “os poderosos podem destruir uma, duas ou até três rosas, mas jamais conseguirão parar a força da natureza”.
Neste natal tentarei dar o meu melhor a todos aqueles que estimo, tentarei melhorar a minha maneira de ser e de olhar a vida, acho que este é o pequeno presente mais valioso que podemos dar ao próximo, se há preceito em que a bíblia não errou é quando pede para amarmos os outros como a nós próprios e mesmo enquanto agnóstico sou obrigado a reconhecer a enorme mensagem de paz que esta simples frase nos dá.

A todos aqueles que me têm ajudado das mais variadíssimas maneiras um grande obrigado e os votos de um óptimo Natal.

João Gomes

Mensagem de Natal

Nesta época festiva, em que nos sentimos e nos queremos mais próximos uns dos outros, celebramos a solidariedade e a esperança. É em nome desses valores que lhe apresentamos a Si e a sua Família votos amigos de Feliz Natal e Bom Ano Novo.
Portugal vive tempos muito difíceis e exigentes. Precisa de os enfrentar com esperança no futuro e solidariedade no presente. Uma comunidade é viva quando se sente unida, mobilizada e confiante. Precisamos de acreditar mais em Portugal e nos portugueses.
Festas Felizes para si e para os seus
Bom Ano de 2006 para Portugal

Maria Barroso Soares e Mário Soares

Wednesday, December 21, 2005

Já temos 6 candidato oficial! Única mulher até agora!


Maria Teresa Lameiro, funcionária pública de Vila Nova de Gaia, entregou as assinaturas necessárias no Tribunal Constitucional e já conseguiu uma vitória entrará, pelo menos, no sorteio do dia 26 para a atribuição dos lugares no boletim de voto, uma vez que, só a partir daí, se irá proceder à verificação da regularidade e autenticidade dos processos.Cidadã independente de 56 anos, não conseguiu formalizar uma candidatura nas últimas eleições, admitindo que nem sequer entregou devidamente o processo. E espera agora para ver se conseguirá participar na ordenação final e constar efectivamente do boletim de voto que será apresentado aos eleitores a 22 de Janeiro. Ou seja, se a documentação que entregou é válida.Maria Teresa Lameiro entregou, no dia 2 deste mês, mais de cinco mil assinaturas certificadas e, três dias depois, regressou a Lisboa também de comboio para somar 10.760, como refere o segundo ofício."Tudo de uma vez era muito pesado. Foram cinco sacos da primeira vez, e seis na segunda", explicou ao JN a pré-candidata, notando que foi ao Tribunal sozinha.A recolha das assinaturas fê-la, particularmente, no seu concelho e à sua custa, sem apoio de terceiros. Mas apostou também no Porto, que fica mesmo ao lado.
Carla Soares
Jornal de Notícias

Jerónimo cada vez mais próximo!


Jerónimo de Sousa elogiou hoje "a acutilância" e "a frescura" de Mário Soares perante "a atitude blindada" de Cavaco Silva no frente-a-frente televisivo de ontem à noite.
Agência Lusa - Jornal Público
A luta continua e cada vez vemos a esquerda, ainda bem, mais ao lado da candidatura de Mário Soares. Que não restem dúvidas que estamos todos unidos, pela eleição de um candidato de esquerda com sensibilidade política e cultural para garantir a establidade e o regular funcionamento das instituições.

Novo outdor de Cavaco



Segundo consta nos basteadores, Cavaco Silva optou por ser sincero com os portugueses e adoptar uma nova postura e design para a campanha. Ao que tivemos informação através do blog www.opiadas.blogspot.com este será o novo outdor a ser lançado já em Janeiro de 2006.

Tuesday, December 20, 2005

Geração anti-cavaco!







Nasceu o grande blog: Cavaco fora de Belém!
Aqui vai o texto de apresentação e antes de mais, parabéns pela iniciativa!

Fazemos parte de uma geração que nasceu politicamente com Cavaco Silva como Primeiro-Ministro. Organizámos e participámos em manifestações, vigílias e reuniões por um mundo que sabíamos não dever ser dominado por um gestor iluminado que com discursos de rigor escondia o desenhar da crise em que continuamos a viver. Porque temos memória, não esquecemos Cavaco, tal como não esquecemos os seus ministros. Não esquecemos as violentas cargas polícias sofridas, pelas escadarias da Assembleia da República e dentro das Universidades. Não esquecemos o spot da TSF que, da ponte 25 de Abril, lançava o grito para que "gajos ricos, gajos pobres"; se juntassem. Não esquecemos os políticos que Cavaco formou e que o continuaram; Durão Barroso, Santana Lopes, Valentim Loureiro, Isaltino Morais ou Alberto João Jardim. Não esquecemos em Cavaco, o contínuo desrespeito por tudo o que era cultura, arte ou memória. E também não esquecemos aquele dia em que Cavaco perdeu e que nos deixou reentrarmo-nos em torno das nossas vidas. Fomos desobedientes naquela altura e agora torna a ser necessário voltar a sê-lo!

Sunday, December 18, 2005

O Escafandro e a Borboleta.

Por experiência pessoal, a privação de liberdade que mais me revolta é a que se prende com a gestão da vida. Tenho a Constituição da República Portuguesa como algo sagrado, a par da Bíblia, mas não obstante isso, o preceito da inviolabilidade da vida, exposto naqueles moldes não acolhe a minha aprovação. Não quer isto dizer, que concorde ou tome como guia toda e cada palavra que nela reside, toda e qualquer parte daquele todo. Na questão do Direito à vida revolta-me que quem quer que seja tente através de um preceito ainda que Constitucional, limitar quem no pleno uso da razão possa optar por pôr termo à vida.

Como é do conhecimento de todos quantos privam mais de perto comigo (em especial o que os fazem há mais tempo), fruto de um acidente passei largas semanas no Hospital, quer na Unidade de Cuidados Intensivos, quer depois na parte de internamento, quer ainda em ginásios de fisioterapia. Nestes locais privei de perto com casos dramáticos, casos de pessoas cognitivamente no seu esplendor fechadas a sete chaves num corpo deficitário de capacidade de movimentos. Acidentes vasculares cerebrais, acidentes de automóvel, lesões vasculares ou lesões físicas que incapacitam corpos e retiram grande parte do sentido que a vida tem, atirando com os seus donos para uma espera lenta pelo dia da morte, e para uma inglória luta contra um corpo desprovido de hipótese de recuperação.

Uma vez nesta situação, a vítima do infortúnio tem duas hipóteses de encarar a vida. Uma positiva acenando afirmativamente para um futuro pouco risonho, e outra negativa desprovida de vontade e esperança de lutar contra algo demasiado forte para ser vencido. Da mesma forma que louvo a atitude dos primeiros, sou o primeiro a defender os segundos, considero discriminatório que se impeça um médico de corresponder ao desejo do doente de por termo ao à vida, tanto mais que na maioria dos casos estamos perante pessoas que nem capacidade física têm para o fazer, visto que se pudessem, certamente o fariam pelas suas mãos sem precisar de assistência ou de alguém para decidir por eles. Estamos nestes casos a falar de um suicídio assistido, de uma morte assistida, do consumar de uma decisão que ninguém deve contrariar…

Se o Direito à vida antes do nascimento pode ser discutido, neste caso concreto não há discussão possível, estamos a falar da gestão da duração de uma vida por parte de alguém na plena posse das suas capacidades... A decisão só pode caber ao próprio, a mais ninguém, é o próprio que sofre, que sente, e o único que pode decidir até quando quer lutar numa batalha dolorosamente perdida à partida.

Tive oportunidade de ler recentemente o ‘Escafandro e a Borboleta’. Neste livro Jean-Dominique Bauby, antigo redactor-chefe da revista Elle, transmite a sua experiência num corpo atingido pelo «locked-in syndrom», doença rara que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar o comer por meios artificiais e mover o olho esquerdo.Foi este olho que usou para escrever o seu livro, piscando-o à medida que a assistente percorria o alfabeto para letra a letra obter palavras que fariam aquele livro. Neste caso concreto, Jean-Dominique quis encarar a vida com a surpresa que ela lhe tinha reservado. Admiro-o muito por isso. Pessoalmente não sei como faria, mas reconheço e defendo com toda a força o direito de quem assim não queira fazer…

Saturday, December 17, 2005

Compromisso com a Liberdade e com a Amizade.

Para que a Liberdade não morra solteira... estamos aqui para assumir um compromisso! É por esse compromisso que aqui viremos discorrer sobre Ela, anunciar as suas virtudes e quiçá os seus defeitos!

É pela Liberdade que podemos escrever, conspirar, imaginar e conjecturar, e é a ela e à amizade de quem escreve neste blog, que dedico Os Macacos, de Jacques Brel…

Os Macacos

Antes dela antes dos cus pelados
A flor o pássaro e nós andávamos em liberdade
Mas eles chegaram e a flor passou ao vaso
O pássaro passou à gaiola e nós passámos a número
Porque eles inventaram prisões e condenados
E registos criminais e buracos de fechadura
E as línguas cortadas das primeiras censuras
E é desde então que eles são civilizados
Os maçados os macacos os macacos do meu bairro

Antes deles não havia problema
Quando as bananas amadureciam até na Quaresma
Mas eles chegaram a abarrotar de intolerâncias
Porque inventaram a caça aos Albigenses
A caça aos infiéis e a caça aos outros
A caça aos macacos pacíficos que não gostam de caçar
E é desde então que eles são civilizados
Os macacos os macacos os macacos do meu bairro

Antes deles o homem era um príncipe
A mulher uma princesa e o amor uma província
MAS eles chegaram e o príncipe é um mendigo
A província definha e a princesa está à venda
Porque eles inventaram o amor que é pecado
O amor que é negócio a feira das virgens
O direito de pernada e a patroa de bordel
E é desde então que eles são civilizados
Os macacos os macacos os macacos do meu bairro

Antes deles havia paz na terra
Quando para dez elefantes havia um só militar
Mas eles chegaram e foi à paulada
Que a razão de Estado correu com a razão
Porque eles inventaram o ferro de empalar
E a câmara de gás e a cadeira eléctrica
E a bomba de napalm e a bomba atómica
E é desde então que eles são civilizados
Os macacos os macacos os macacos do meu bairro
Os macacos do meu bairro

Wednesday, December 14, 2005

Grande chico...

do debate da TVI entre Francisco Louçã e Cavaco Silva]

Miguel Sousa Tavares: Se o senhor for Presidente da República, o que é que fará se descobrir que tem o seu telefone sob escuta?Cavaco: Eu considero isso inaceitável, até não estou bem a imaginar que isso possa ocorrer a alguém que não esteja sob uma forte suspeita de um crime, por isso tenho muita dificuldade em imaginar que isso possa ocorrer.Miguel Sousa Tavares: Bom, mas já ocorreu. Portanto eu pergunto-lhe o que faria se ocorresse com o senhor a Presidente da República. Estamos no domínio dos direitos essenciais do cidadão e portanto eu pergunto-lhe, como hipotético PR, qual é a garantia que nos pode dar.Cavaco: Este é um dos pontos em que eu talvez não esteja em desacordo com o deputado Louçã. Eu começaria pelo Primeiro-Ministro, falar com o Primeiro-Ministro, o Procurador-Geral da República, e acho que tudo teria de ser investigado para saber o porquê, o porquê. E depois talvez tivesse que me interrogar sobre se não deveria enviar uma mensagem à Assembleia da República para que fosse aprovada legislação que impedisse que essas situações ocorressem.Francisco Louçã: Se me permite, a legislação já impede que isto ocorra.
(não gosto de transcrever coisas de outros blogs, mas isto era um post do Ivan do SuperMário, está lindo!)

Tuesday, December 13, 2005

Obrigado amigos

Muitas vezes já dei por mim a pensar no que é a verdadeira amizade e no sentido que a mesma deve ter na nossa vida, talvez mais que isso, a importância que ela tem para a nossa realização pessoal enquanto seres humanos. Por vezes olhamos à nossa volta e é difícil diferenciar o que é um amigo e um mero conhecido, por alguns momentos pensamos até que podemos estar sós, mas a verdade é que existem sempre pessoas com quem nos sentimos bem, que com todas as qualidades e defeitos nos vão completando.
São 6:30 e recuso-me a dormir para conseguir ir às aulas, depois de uma noite magnífica com um grupo de amigos inegualáveis. Obrigado a todos pela maneira explendida como me têm tratado e espero continuar a conhecer-vos cada vez melhor, aproveito para mandar um grande abraço ao maquiavel que tem sido como um irmão em todos os bons e maus momentos.

Sunday, December 11, 2005

Geração Perdida

No outro dia, observava a colecção de DVD's das minhas primas e descobri dois filmes bastante interessantes e que, embora de formas diferentes, abordam uma temática cada vez mais actual no quotidiano das nossas grandes metrópoles. Refiro-me à falada e já há uns bons anos apelidada de "geração rasca" e os filmes são o mítico KIDS e o nosso português ZONA J do Leonel Vieira e que conta com uma representação magnífica da nossa Dália Madruga e do Felix Fontoura, que encarnam os papeis principais.
Ao visionar os dois filmes notamos claramente várias diferenças sobre as realidades que nos são apresentadas, primeiro porque um aborda esta temática tendo em vista a realidade norte-americana enquanto o outro tem como cenário Chelas (essa bela localidade...) e depois porque o primeiro data de 1995, enquanto o outro é um pouco mais recente. Mas se observarmos a génese que nos é proposta por ambos os realizadores, notamos que existem largos paralelos não só nos filmes, mas também na própria realidade que é abordada.
Encontramos em ambos o retrato de um geração perdida, que vive em bairros sociais com péssimas condições, numa sociedade onde o racismo e a xenófobia imperam, onde os imigrantes são muito pouco compreendidos e onde a criminalidade serve de escapatória para uma segunda geração de imigrantes que com poucas possibilidades e sem nenhumas habilitações literárias encontra possibilidade para sobreviver, marginal sem dúvida, mas a única possibilidade. A juntar a estes problemas, podemos acrescentar a toxicodependência e a sida que continuam a alastrar nestes meios mais desfavorecidos em pleno séc. XXI e no seio de capitais de países desenvolvidos.
Passamos da geração hippie dos jovens burgueses que apregoavam a liberdade sexual e a libertação espiritual das drogas, para uma geração teenager do rock n'roll e das calças levi's e agora culminamos com uma geração (que por ter valores não é rasca!) que se divide cada vez mais entre mais ricos e mais pobres, entre aqueles que têm acesso a uma verdadeira educação de qualidade, a conforto e a ambiente familiar e aqueles que vivem em famílias destruturadas e têm nas drogas e na marginalidade a única possibilidade de refúgio.
Mas talvez a maior diferença entre os dois filmes, seja o nosso português continuar a mostrar o seu espírito romântico e saudosista, apelar ao amor como salvação universal. Não pensem que estou a usar isto de forma prejurativa, pelo contrário, só com amor, amizade e tolerância para com todos os seres humanos iguais a nós é que podemos tentar mudar alguma coisa, para que a delinquência juvenil não chegue ao extremo que vimos em França...
"Do rio que tudo arrasta se diz violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem" (Bertolt Brecht)

Quanto mais a luta aquece...


Enquanto Manuel Alegre juntava 150 apoiantes num almoço em Agueda, 4000 pessoas recebiam assim Mário Soares em Vale de Cambra. Como é que ainda existem pessoas a dizerem que Soares não é o melhor colocado para enfrentar o Professor Cavaco Silva?
Bem.. há razões que a própria razão desconhece...
"O povo fica bem, com Soares em Belém!"

Saturday, December 10, 2005

Mas que grande susto!!!

Um candidato como o Cavaco Silva, quando já tem a plena noção de que, por mais que tente trasmitir, não é simpático e quer tudo menos afirmar-se como um amigo dos portugueses, deve sem sombra de dúvida apostar neste estílo de imagem e negar-se a dar um sorriso aos eleitores!
Acho que este foi um grande acto político do sr. professor! Ao menos com esta imagem, talvez os portugueses se lembrem que é o mesmo que perdeu as eleições com o Jorge Sampaio e que é o mesmo que não soube aproveitar os fundos vindos da CEE e é aquele senhor que fartou-se de mandar a polícia distribuir bastonada em toda a gente!
Só uma pequena sugestão à direcção de campanha do sr. professor... então onde está o bolo rei?

-Para lá do sofrimento descobrimos sempre um novo eu

Existem por vezes momentos, na nossa vida, em que pensamos que tudo está acabado, em que temos a perfeita noção de que não adienta lutar por aquilo que nós sonhamos, pelos nossos objectivos e pelas metas que vamos construindo na nossa cabeça. Quantas vezes acordamos de manhã e pensamos que não vale a pena viver um novo dia?
Isto acontece inúmeras vezes a todos nós, por mais que o tentemos negar está na génese do ser humano um sentimento de derrota constante perante a vida, parece que o mundo nos ataca em todas as suas frentes... Sentimos que existem palavras e pessoas que não são mais que uma gota no oceano, mas esquecemos que nos tocam como maré no nosso coração. Muitas vezes temos a plena noção de que erramos, que fizemos escolhas que não foram as melhores, mas não temos como voltar atrás, devemos pelo contrário erguer a cabeça e olhar em frente. Ignorar quem diz que a nossa luta constante não passa de uma forte ânsia de protagonismo e pensarmos que dentro de nós, como diria Manuel Alegre, vive sempre um foco guerrelheiro que desperta perante a injustiça.
Lembro-me de ler por aí algures que Gandi dizia: "posso ser uma pessoa desprezível, mas quando fala em mim a verdade sou invencível", por isso apenas tenho a dizer que nunca irei baixar os braços perante a adversidade, por isso ouso lutar e ouso vencer e por isso estarei sempre aqui para protestar perante a injustiça e aplaudir tudo aquilo que acho que foi bem feito em prol de alguém ou de um todo. Não quero com esta frase afectar alguém em especial, mas quero apenas lembrar que estarei sempre aqui atento e vigilante, para que não pensem que algum dia me irei refugiar nos medos de alguém ou na ignobilidade de muitos outros.
Hoje assisti ao magnífico comício do Mário Soares em Vale de Cambra, onde se reuniram cerca de 4000 pessoas do distrito de Aveiro para aplaudir entusiasticamente o único candidato com capacidade para enfrentar a direita. Que com a sua vida completamente organizada, com uma história política de que muito poucos se podem gabar, se decidiu candidatar a um terceiro mandato na Presidência da República. Depois do dia de hoje... ouso também gritar: "Portugal está bem com Soares em Belém!".
Mas se dúvidas houver do dever que todos temos em votar e apoiar Mário Soares, basta irmos ao site da candidatura e vêr o mágnifico discurso do Professor Sobrinho Simões sobre as eleições de Janeiro, citando o professor: "perante programas tão idênticos de ambas candidaturas, basta observar a memória, a história e o futuro".
Pela mesma razão de sempre estarei sempre pronto para todos os desafios e combates que se avisinhem! Pela mesma razão de sempre sei que Mário Soares é nosso... por Portugal!

Sunday, December 04, 2005

O hino da vitória














Quem viu no olhar do povo
todos os mares que se inventaram
quem deu os passos certos
na hora mais incerta,

quem sempre nos deu voz
e nunca foi calado
quem soube ser como nós
e sempre esteve ao nosso lado

e sempre resistiu
e sempre enfrentou
quem nos quis roubar
a liberdade

refrão

com os que partem, com os que voltam,
com os que sempre aqui estiveram,
pela mesma razão de sempre:

com os que partem, com os que voltam,
com os que sempre aqui estiveram,
pela mesma razão de sempre:

quem sempre aqui esteve
e sempre aqui se fez ouvir
quem sempre nos deu força
sem nunca desistir

quem sempre nos deu voz
e nunca foi calado
quem soube ser como nós
e sempre esteve ao nosso lado

e sempre acreditou
e sempre soube unir
para conquistar
a liberdade

refrão

com os que partem, com os que voltam,
com os que sempre aqui estiveram,
pela mesma razão de sempre:

com os que partem, com os que voltam,
com os que sempre aqui estiveram,
pela mesma razão de sempre:
Portugal.

http://www.mariosoares.net/FileStorage/musica/temavozcompleto.wma
Música completa

Saturday, December 03, 2005

A todos um bom natal!



Feliz Natal a todos vós!

Wednesday, November 30, 2005

Soares o presidente da juventude!



Foi lançado o site do movimento jovem "Soares Presidente 3"

www.movimentomp3.net

Juntos conseguimos!

Monday, November 28, 2005

Pela mesma razão de sempre... PORTUGAL



« On a vu souvent
Rejaillir le feu
D’un ancien volcan
Qu’on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus la blé
Qu’un meilleur avril »
(Jacques Brel)


Certamente que já está na altura de ser lançado o debate, na nossa cidade, sobre as eleições presidenciais que se aproximam. Não pensem que decidi expor publicamente o meu apoio a Mário Soares, como forma de reacção a camaradas meus que desde algum tempo tomaram a decisão de apoiar outra candidatura de esquerda, pelo contrário, certamente que estes camaradas estarão, na segunda volta, a apoiar comigo a única candidatura capaz de fazer frente à eleição de Cavaco Silva. Mas é importante fixar que é preciso uma união clara de todos os socialistas em torno da candidatura de Mário Soares, pois apenas isso será o garante de uma campanha que se ditará vencedora em janeiro próximo.
Mas se existe uma prova inequívoca de que esta candidatura não é partidária basta olhar para extenso rol de apoiantes que se associaram ao MASP 3 (Movimento de Apoio Soares à Presidência), do centro à esquerda radical, dos mais velhos aos mais novos que, ao contrário do que alguma comunicação social tenta passar, têm esgotado auditórios em todas as iniciativas de apoio à candidatura. Desde do líder da JS Pedro Nuno Santos, à dirigente do Bloco de Esquerda Joana Amaral Dias, passando pela piloto Elizabete Jacinto e pela jornalista Diana Andringa muitas são as personalidades jovens que se têm juntado no apoio a Mário Soares.
Tal como Brel nos diz na sua canção, quantas vezes não se reacendeu o fogo do antigo vulcão que julgávamos velho? Talvez com a diferença de neste hipotético jogo de vulcões Cavaco Silva ter sido até ao momento um mero espectador, ou talvez, vulcão adormecido. Quem não se lembra de toda a intervenção social e política de Mário Soares, quer a nível nacional quer mesmo a nível internacional no que concerne a problemas como a globalização e a guerra no Iraque? Quem conhece a história de Mário Soares sabe que sempre ousou lutar pelos seus ideais, por isso é hoje o pai do Portugal democrático que conseguiu fugir às derivas comunistas com base no modelo dos países de leste no pós 25 de Abril, por isso foi um dos principais responsáveis pela adesão do nosso país à Comunidade Económica Europeia e é também por isso que se candidata com 81 anos novamente à Presidência da República, pela mesma razão de sempre, PORTUGAL.
Muitos podem dizer que a única alternativa à esquerda é votar Manuel Alegre, mas quem conhecer a história do Portugal moderno sabe que Mário Soares já teve que concorrer anteriormente com a esquerda dividida, logo na sua primeira candidatura presidencial teve de enfrentar Salgado Zenha, mas nessa altura, Zenha teve a posição ética de pedir a demissão do PS. Toda a sociedade civil está ciente do perigo da divisão da esquerda e do centro, que pode levar a uma vitória na primeira volta de Cavaco Silva, que por sua vez nos pode conduzir para um desvio de presidencialismo autoritário, por parte de um economista com cariz tecnocrata que não se coaduna com as funções de Presidente da Republica, a quem cabe OUVIR e UNIR os portugueses. Mário Soares impõe-se pois como alternativa democrática de quem quer exercer uma “magistratura de influência”, sendo um árbitro e moderador na política nacional, utilizando a sua projecção internacional para representar o nosso país ao mais alto nível, sendo o candidato melhor preparado para tal.
Quem estudar o constitucionalismo português sabe que o Presidente da República “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas”. Agora pensemos, até que ponto Cavaco Silva será uma mais valia nestes campos? Alguém acredita que o candidato apoiado pelo PSD conseguirá unir os portugueses? Pelo contrário, estamos a falar de uma pessoa tida como conflituosa que nunca conseguirá reunir consenso à esquerda, ao centro e mesmo à sua direita e que em nada pode contribuir para a estabilidade política nacional. No que toca ao regular funcionamento das instituições democráticas, também todos estamos cientes que o social-democrata mesmo enquanto primeiro-ministro nunca foi capaz de o fazer, se não porque razão teria ordenado à polícia que enfrenta-se violentamente todos os populares nos famosos confrontos da ponte 25 de Abril?
Vivemos tempos de crise económica mas seguramente não será o Presidente da República a resolver esta situação. Até porque temos um governo que pela primeira vez pede contenção e sacrifício aos portugueses, mas com a coragem de enfrentar todos os interesses instalados na nossa sociedade. Se queremos um país evoluído, competitivo e com mais e melhor emprego, com uma melhor educação e uma verdadeira política de juventude precisamos de estabilidade. Precisamos de um Presidente da Republica que ajude a governar pela positiva, cumprindo as funções que a constituição lhe confere e que não tente ser uma força de bloqueio às reformas importantíssimas que estão em marcha pelo Eng. José Sócrates.
Pela mesma razão de sempre os sanjoanenses devem apoiar Mário Soares, por Portugal.


João Gomes*

* Mandatário jovem concelhio da candidatura do Dr. Mário Soares

Sunday, January 23, 2005

Uma mão cheia de ideias!






Modernizar e desenvolver Portugal


Um Governo liderado por José Sócrates voltará a ter o emprego e o combate à pobreza como prioridade das políticas económicas e sociais. A garantia deixada pelo secretário-geral socialista na sessão pública de apresentação do Programa de Governo do PS, ao encerrar a Convenção Nacional do fórum “Novas Fronteiras” que esta tarde decorreu no Centro de Congressos do Estoril. “Nestas eleições há uma escolha entre continuidade e mudança, entre passado e futuro, entre resignação e esperança”, afirmou o líder do PS para quem "chega de incompetência, chega de episódios e chega de instabilidade. Entre a continuidade e a mudança ninguém pode hesitar", sustentou, para em seguida apresentar um programa eleitoral de “rigor, exigência, trabalho, vontade, energia e ambição para o futuro do país”.


Considerando não ser possível fazer milagres, o líder socialista não se resigna e por isso reitera a promessa de criar 150 mil novos empregos até 2009, tantos quantos foram perdidos ao longo dos últimos três anos de “más políticas”. Porque, para Sócrates "cada desempregado é mais do que um algarismo na estatística. Para nós, cada desempregado representa um drama familiar e uma capacidade que se desperdiça", enfatizou. No âmbito das políticas sociais, “não contem com o PS para governar sem coesão social”, sublinhou o líder socialista referindo depois que "o combate à pobreza tem de voltar a ser uma prioridade". Aqui o objectivo é, no quadro de uma legislatura, retirar 300 mil idosos de situações de pobreza. "A pobreza dos idosos é aquela que não tem saída e que não tem voz. É a face mais dura da injustiça social", justificou. Na agenda económica, a pedra de toque do programa socialista é o “plano tecnológico” e as palavras chave a ele associadas: inovação, conhecimento e tecnologia. “O eixo central do crescimento para a próxima década tem por base o base o plano tecnológico para recuperar o atraso e modernizar o país” afirmou o secretário-geral do PS. Na estratégia delineada por Sócrates, para um desenvolvimento sustentável, figuram os compromissos de reduzir para metade o abandono escolar, incluir o inglês no ensino básico e uma forte aposta na ciência e tecnologia. “ O que é verdadeiramente caro é a ignorância no país, não a educação” afirmou. Nas finanças públicas, o líder socialista teceu duras crítica aos governos PSD/CDS-PP, acusando-os de terem proporcionado "um degradante espectáculo ao abusarem das receitas extraordinárias" para conterem o défice nos três por cento, tal como impõe o Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia. Em relação à modernização da Administração Pública, Sócrates levará a cabo o processo de redução de 75 mil funcionários públicos em conjunto com as estruturas do sector.Desdramatizando as consequências da medida constante no programa eleitoral do PS de reduzir, em quatro anos, em 75 mil, o número de funcionários públicos, o líder socialista afiançou que o processo não se fará "contra" o funcionalismo público. Queremos contar com a Administração Pública no esforço de modernização", frisou. Perante as cerca de 2.000 pessoas no Centro de Congressos do Estoril, José Sócrates deu dois exemplos de como vai combater a “sério” a burocracia. Passará a haver um cartão único que inclua os bilhetes de identidade, contribuinte, segurança social, saúde e eleitor e acabar-se-ão os dois documentos por cada automóvel. Será “um dois em um”, gracejou. A concluir a sua intervenção declarou que “Portugal precisa de um bom Governo, sério, competente e responsável” e nesse sentido concluiu “ o melhor do país está com o PS e deseja uma mudança política” Por sua vez, o coordenador do programa eleitoral do PS apelou ao voto nas eleições de 20 de Fevereiro para garantir um governo estável e devolver a estabilidade a Portugal. "A abstenção é o nosso principal adversário nestas eleições", sublinhou António Vitorino no início dos trabalhos. A "Demagogia política na direita e mesmo na própria esquerda" foi também apontada pelo dirigente socialista como adversário a vencer. António Vitorino refutou as críticas dirigidas pelo líder do CDS/PP a José Sócrates, sobre a "exigência" da maioria absoluta, deixando explícito que o PS não "exige", antes pede para poder governar com estabilidade."Na nossa opinião, são os problemas do país que exigem um governo forte, credível, e lutar para que Portugal tenha estabilidade", frisou. Para o ex-comissário europeu, "um tal governo só pode emergir de uma maioria absoluta do PS na Assembleia da República". Lembrando que "é possível voltar a acreditar que Portugal é viável e vale a pena", Vitorino disse que "não há varinhas mágicas" e, por isso, os problemas não se podem resolver de um dia para o outro. No entanto, salientou que "não podem ser sempre os mesmos a pagar a factura", sobretudo quando são "os que menos têm e por isso mais sofrem".

In site do PS

Friday, November 12, 2004

17º congresso do PCP



17º Congresso do PCP
Notas sobre o Projecto de Resolução Política

Por Joaquim Miranda (Membro do PCP)

Portalegre, Outubro de 2004




"Um debate tardio, viciado e sem perspectivas, num partido cercado

3.1. As reflexões a que fiz alusão e que se seguem sobre o projecto de Resolução Política não podem deixar de ter como pano de fundo a situação antes referida. Mas tão pouco esta pode impedir uma consideração mais geral sobre a situação e a vida interna e sobre as orientações do Partido.

É isso que passo a fazer à luz do projecto de Resolução Política e sem prejuízo de considerar, à partida, que o “ debate” anunciado sobre o referido documento é tardio, está viciado e é falho de ambições e de perspectivas.

3.1.1. Se não bastassem já as regras do “centralismo democrático criativo” , que determinam que tudo passe obrigatoriamente pelo crivo do núcleo central de direcção do Partido (da fixação do momento e das normas do Congresso, passando pela elaboração de documentos e pela análise das contribuições, até à definição da composição futura dos órgãos de direcção, incluindo o secretário-geral) e impedem a circulação, o conhecimento e o debate de diferentes opiniões e propostas, resulta ainda patente nas Teses uma arrogante e indesmentível indisponibilidade para qualquer consideração das posições diferenciadas de membros do Partido quanto ao que entendem poderem e/ou deverem ser os contornos essenciais da sua base ideológica, das suas estratégias e políticas de alianças, das suas regras, métodos e estilos de funcionamento ou, em geral, das suas formas de estar e intervir na sociedade.

E, daí, a minha profunda convicção de que as presentes considerações “cairão em saco roto”.

3.1.2. Isso mesmo decorre evidente do estigma e da catalogação depreciativa de quantos vêm afirmando tais posições, ainda que num quadro de inabaláveis convicções comunistas, que insisto em reafirmar.

O conteúdo da tese 4.2.6. é, a esse propósito, esclarecedor: ” Nesta acção ( “que visa promover o anticomunismo, uma falsa imagem do partido e o aumento dos preconceitos contra ele... e promover a sua desagregação...” - tese 4.2.5 .) têm uma participação activa ex-membros do Partido e alguns outros que continuam a invocar a qualidade de membros e que convergem na acção anticomunista para atacar o Partido na sua essência e criar dificuldades ao reforço da sua influência social, política e eleitoral. E que, dando provas de capitulação ideológica, se rendem e submetem à ideologia do grande capital, promovem a desagregação orgânica do P, prosseguindo no desgaste da sua imagem e influência, assumindo-se cada vez mais como apêndices do PS e do BE ”.

Ou seja: todos aqueles (mesmo os “outros” , os que “...continuam a invocar a qualidade de membros do Partido” ) que se arvoram no direito de ter e apresentar análises e perspectivas diferentes ou alternativas das que resultam das elucubrações dos dirigentes do Partido vertidas no projecto de Resolução Política estão condenados à condição de “inimigos do Partido” – tese 4.2.7.

Recuso-me a catalogar tal asserção, mesmo se ela resultaria fácil e incontestável já que são óbvios os objectivos persecutórios e de limpeza política que lhe estão subjacentes, na conhecida lógica de que o importante é assegurar, neste momento, que no Partido fiquem “poucos, mas bons”!

3.1.3. De resto, as Teses evidenciam uma tal visão maniqueísta e de partido cercado, que inevitável se torna encontrar perigos e inimigos onde menos se esperaria (como se não bastassem os que realmente existem).

Para além dos perigos e inimigos internos, eles podem ainda encontrar-se e são explicitamente referenciados na CGTP-IN ou, inclusivamente, em outros partidos comunistas.

3.1.3.1. Na primeira, são “ as forças e sensibilidades político-ideológicas, designadamente reformistas e ex-esquerdistas, que...têm vindo a evoluir para concepções e posições que, a serem concretizadas no plano do funcionamento e composição das estruturas da direcção do movimento sindical nos seus diversos níveis, conduziriam ao desvirtuamento e desagregação... ” – tese 3.5.14.

São óbvios os objectivos e os destinatários..."

www.comunistas.info/0410/j_miranda.htm

Morreu Arafat



O porquê da existência dos políticos.

Depois de algum tempo de ausência, volto com uma pequena reflexão sobre política e, mais concretamente, sobre os políticos. É dito e sabido que a maioria da população tem uma má imagem dos políticos, que são tidos como carreiristas, que fazem da política um modo de vida, de sobrevivência e de promoção pessoal e social. Na verdade o justo paga pelo pecador e os bons políticos, desinteressados na sua carreira e trabalhando pelo bem comum, são postos no mesmo saco que outros.

Para elaborar um exercício reflexivo sobre o assunto, é necessário, em primeiro lugar, tentar perceber qual é a função dos políticos na sociedade e se eles são importantes ou não para o bom funcionamento do país. Os políticos, na minha opinião, têm um papel preponderante na sociedade, na medida em que devem fazer aplicar na governação a vontade geral da população. O problema é que isto, muitas vezes, não acontece e vemos inúmeros casos de clientelas partidárias que rodam a um nível alucinante pelos organismos governativos e empresas públicas, à medida que os governos se vão sucedendo, tal facto leva a que muitas pessoas que têm responsabilidades públicas sejam nomeadas, não pela sua competência ou vontade de servir as populações, mas sim pela sua cor partidária.

É urgente que as próprias pessoas que têm responsabilidades políticas façam um acto de contrição e percebam que a sua função social é ouvir os anseios, problemas e expectativas das populações, para posteriormente trabalharem em prol da melhoria da qualidade de vida das mesmas. E este assunto não pode ser encarado de um ponto de vista ideológico, pelo contrário, deve ser tido como um assunto ético, aplicável tanto aos políticos da esquerda como da direita.

Quando uma pessoa decide ter responsabilidades políticas deve assumir um desafio de trabalho e dedicação para com as pessoas que o elegem. É muito importante que se abandone uma visão redundante e errada de que todos os políticos são iguais, e é urgente que a juventude mostre que sabe inovar, ou seja, entregar-se à actividade política em prol do país e não em prol do seu sucesso profissional.


João Gomes
in Jornal Labor

Tuesday, October 19, 2004

Panorama do Associativismo Estudantil em S. João da Madeira

"Estudantes estão amorfos
quer política quer socialmente"




A chama do Associativismo Estudantil e do espírito académico está praticamente apagada em S. João da Madeira. Das três escolas secundárias do concelho, apenas uma tem Associação de Estudantes (AE). A Escola Secundária João da Silva Correia é o único estabelecimento de ensino público que tem tido sempre AE. O Centro de Ensino Integral (CEI) também possui uma Associação, apesar de ser constituída em moldes diferentes.

O LABOR ouviu os quatro presidentes dos conselhos executivos destas escolas para tentar saber onde anda o espírito associativo dos estudantes.

No CEI, neste momento, existe uma AE e uma Associação de Pais, apesar de "não terem estatutos feitos no notário", explica Joaquim Valente, presidente do conselho executivo. Segundo o responsável, a escola pretende acolher juridicamente a associação de pais e a de alunos numa só associação. Contudo, garante que em termos de funcionamento, "cada uma terá a sua secção independente". Para além da intenção de integrar pais e alunos num só organismo, a escola pretende também incluir ex-alunos e ex-pais nesta Associação. Segundo o professor Valente, "este tipo de instrumentos são bons conselheiros do bom funcionamento da escola".

No ano 2000/2001, João Gomes (presidente da AE da N.º 2 do ano anterior e recandidato neste ano, ver abaixo) participou numa plataforma informal de estudantes que reunia alunos de todas as escolas secundárias em S. João da Madeira. Nessa altura, segundo João Gomes, "conseguimos captar vários alunos, mas a partir daí não houve um esforço". Para João Gomes, uma das coisas a fazer no seu eventual próximo mandato, é "incentivar os alunos e tornar a própria AE da N.º 2 um motor de incentivo para as outras escolas criarem uma AE".

"Há uma atitude de completa passividade por parte dos estudantes. Na Serafim Leite e na N.º 3 os estudantes estão amorfos quer política quer socialmente. Não têm uma visão da importância do associativismo estudantil e juvenil e acabam por ficar arredados das grandes lutas do ensino e por não ter parte activa na escola", alerta João Gomes.

Na Escola Secundária Dr. Serafim Leite há dois anos houve AE, mas no ano passado não. Esta semana começou o processo de apresentação de listas. Até a data nenhuma foi apresentada. Pedro Gual, presidente do conselho executivo, explica que "normalmente a dificuldade que ocorre deve-se ao facto de, conforme o regulamento interno, a lista tem de incluir alunos do ensino recorrente. Esta situação torna-se um obstáculo". No entanto, Pedro Gual garante que "os alunos estão representados na Assembleia de Escola e no Conselho Pedagógico".

Apesar de não existir uma AE, o responsável pela escola considera que este organismo é "muito importante para dinamizar a própria escola com projectos bem como a nível da representatividade".

Na Escola Secundária N.º 3, as últimas vezes que existiu uma AE foi eleita apenas no 3.º período e era constituída por alunos do 12.ºano. Daí e, como explica Mário Coelho, presidente do conselho executivo, "não ter havido continuidade [ao projecto] porque os alunos saíram da escola e quando foram eleitos o ano já estava no fim".

Mário Coelho afiança que "já demos legislação aos alunos para formar uma associação, alertamos para a importância da sua constituição, mas os alunos deixaram de se interessar e as listas não aparecem". A título de exemplo deste desinteresse, o responsável lembra que na Assembleia de Escola, "os alunos ainda aparecem as primeiras vezes mas depois não voltam".

O cenário na Escola Secundária João da Silva Correia é diferente. Desde sempre existe AE, umas lembradas com um papel mais activo outras não tanto. Como recorda Margarida Violante, presidente do conselho executivo, "foi graças a uma AE que se deixou de fumar no recinto da escola". Outras "experiências positivas" da responsabilidade da AE, frisadas pela responsável, é a feira das profissões realizada anualmente. Segundo Margarida Violante, "trabalhar com os alunos como parceiros resulta em grande sucesso".

O processo eleitoral para constituição da AE decorre até ao dia 30 deste mês. Até agora só foi apresentada uma lista: a lista A. Com o slogan "Uma lista responsável", esta lista resulta da recandidatura do grupo de alunos que dirigiu a AE da Escola N.º 2. O LABOR conversou com João Gomes, presidente da lista A, para conhecer os meandros do Associativismo Estudantil na cidade.



Visão de um dirigente associativo



João Gomes, 17 anos, frequenta a Escola Secundária João da Silva Correia pelo sexto ano consecutivo. Foi Presidente da AE no ano transacto, Vice-Presidente no ano lectivo 2001/2002 e nos últimos dois anos foi representante dos discentes na Assembleia de Escola. Neste ano lectivo, apresentou a sua recandidatura como cabeça de lista à AE.

Questionado acerca do panorama passivo em relação ao associativismo estudantil patente nas outras escolas secundárias da cidade, João Gomes fez referência a cada estabelecimento de ensino como casos particulares. Apesar de a João da Silva Correia possuir AE, são poucas as listas apresentadas ou, por vezes, somente uma. João Gomes afirma que esta escola "é um caso particular porque é uma escola muito pequena". Como explica, anteriormente era uma escola com um número de vagas muito grande para cursos de prosseguimento de estudos. E, agora, tem muita gente a frequentar cursos como o de Animação Social [área técnico profissional]. Desta feita, "estas pessoas, na sua maioria, não pensam prosseguir os estudos e não têm uma vida académica muito activa. Muitos já trabalham, estudam e têm «part-times», logo não têm muito tempo para ficar na associação de estudantes". Para além deste factor, a dimensão reduzida da escola conduziu de há uns anos para cá, segundo João Gomes, "a uma enorme estagnação na quantidade de pessoas interessadas em formar listas".

Desde há três, quatro anos que existe um grupo de pessoas, um "núcleo duro", que tem tomado conta da associação de estudantes. João Gomes insere-se nesse grupo em conjunto com outros e têm tido um papel activo não só na AE como também na Assembleia de Escola e no Conselho Pedagógico.



Escola deve incentivar o associativismo



Em relação ao que se passa na Escola Secundária N.º 3, João Gomes revela que "sei que no ano passado houve tentativas para formar uma AE. Mas, creio que devido à burocracia legal não foi levada para a frente". Segundo João Gomes, "creio que o Conselho Executivo exigiu que a associação fosse formada legalmente, o que colocou alguns entraves e os alunos acabaram por ficar com o pé atrás".

O estudante lamenta a inexistência de uma associação e considera "muito estranho que numa Escola tão grande como a N.º 3 , haja uma passividade a este nível". Até porque, segundo João Gomes, "embora nunca tenha tido uma associação formalmente constituída, esta escola tinha uma participação activa, nomeadamente nas lutas estudantis contra a revisão curricular no governo PS e depois no do PSD e contra o novo estatuto do aluno".

O caso da Serafim Leite é "mais específico". Houve AE, mas no ano lectivo passado não. Como conta João Gomes, "os dirigentes, de há dois anos, continuaram na escola mas decidiram não tomar parte activa, uns por motivação política e porque se inseriram noutros meios e decidiram não continuar com o projecto".

Nestes últimos dois anos, segundo João Gomes, "nunca houve sinais de pessoas empenhadas em formar uma AE". Tal gera alguma confusão a João Gomes, uma vez que "esta escola sempre teve uma grande abertura com os estudantes. Era a própria Serafim Leite que convidava os estudantes a formar listas". Para além disso, no ano passado, a N.º 2 lançou um movimento contra a Lei de Bases da Educação e "teve boa receptividade por parte dos alunos da N.º 1 que participaram socialmente". Daí afirmar "não percebo" porque não surgem listas a concorrer. Por outro lado, admite é um caso mais complicado que a N.º 2 por ser uma escola maior logo é preciso mais meios efectivos para fazer uma campanha.

Desta forma, João Gomes considera que é um problema a ser resolvido pela própria Administração da Escola. Esta deve procurar "incentivar os alunos e dar-lhes meios para formar uma AE". E mais, "perceberem o contributo da AE na formação pessoal dos próprios alunos" e na possibilidade deles se tornarem "parte activa na democracia, na sociedade de S. João da Madeira, tomem posições e tenham uma atitude cultural diferente".



Outra dinâmica para superar dificuldades



A AE da Escola N.º 2 do ano transacto, recandidata-se agora com um novo desafio para superar algumas dificuldades: a adesão à Confederação Nacional de Associações de Estudantes (CONFNAES). Assim, a AE pode passar a ter parte activa na sociedade e melhorar as condições de funcionamento da própria associação. Para além disso, esta adesão traduz a possibilidade da AE pedir subsídios ao Instituto Português da Juventude (IPJ), à Câmara Municipal e a outras entidades de apoio ao associativismo estudantil. Porque, ao não estar devidamente legalizada, só possui um orçamento de 30 euros para o ano inteiro. Também passa a ser uma entidade jurídica o que, segundo João Gomes, "pode ser útil quando surgirem conflitos. E perante a administração da escola, a associação ganha outro estatuto". A adesão à CONFNAES revela-se também importante já que, apesar de existirem mais, "esta é a única plataforma nacional de estudantes que tem assento na Comissão nacional de juventude e de educação do Governo".

A escola N.º 2, a nível dos organismos nacionais, sempre colaborou com a delegação nacional de associação de estudantes (DNAE) [plataforma não legalmente constituída, marcadamente de esquerda que sempre pautou a sua actividade pelo combate de esquerda no Ensino, exclusivamente à luta estudantil]. Contudo, João Gomes considera que a DNAE já não é "fundamental" daí ser premente a adesão à CONFNAES. "Temos observado que aquando das grandes lutas, a DNAE já não tem grande actuação e deixa de ter algum fundamento".

João Gomes considera necessário "abrir novas fronteiras para a AE que passam pelo âmbito cultural, desportivo, lúdico, etc. Aí há outra estrutura, já legalmente constituída, que revela-se mais capaz – CONFNAES – que entendemos que é mais abrangente". A adesão à CONFNAES fará com que os membros da AE "possam ter parte activa na estrutura do ensino secundário a nível nacional".

A título de exemplo, João Soares refere a AE de uma escola da Amadora que conseguiu vários apoios, nomeadamente do Estado, de fundações e da própria escola. Desta forma, esta associação conseguiu levar a cabo projectos sociais de apoio aos estudantes carenciados e às suas famílias. "A própria Associação providenciava cestos com comida para distribuir a estas famílias dos estudantes desfavorecidos", conta João Gomes.



"primeiro passo na política (...)"



Este ano João Gomes foi convidado, por ter sido o antigo presidente da AE, a fazer uma pequena palestra esclarecedora para cada ano sobre o que é a AE, o que é o movimento associativo e qual a representação e papel dos estudantes na gestão da escola. Confessa que a receptividade foi "boa".

Para este jovem, o Associativismo Estudantil engloba três componentes: a política, a cultural e a lúdica.

Em relação à primeira componente, o associativismo estudantil é "o primeiro passo para qualquer jovem se envolver na política e começar a ter opinião e parte activa na política". Como exemplo, apela à sua experiência pessoal. "A maior parte da minha formação política começou pelo associativismo estudantil. Por exemplo, no ano passado, 90 por cento dos estudantes que estavam na AE não tinham militância política. Neste momento, na minha lista, cerca de 80 por cento já têm como também já têm um novo olhar sobre as questões que envolvem toda a sociedade e o País". Quanto à componente cultural, "a AE da N.º 2 sempre procurou ter uma colaboração cultural activa com a administração da escola". Esteve sempre envolvida em todos os aspectos de convívio, deu apoio cultural aos estudantes que precisassem. Este ano, caso seja eleito novamente, João Gomes afirma que esta é uma componente "a ser melhorada". Para tal, releva que "estamos a pensar em reunir ex-presidentes de AE da escola e fazer um debate para procurar saber quais as diferenças do associativismo estudantil pós 25 de Abril, na década de 80, na de 90 até agora. E debater acerca dos novos horizontes".

Vânia Correia
Jornal Labor

Sermão

«Nonne cognoscent omnes, qui operantur iniquitaten, qui devorant plebem mean, ut cibum panis» (Salmo XIII-4)

«Porventura, não conhecem todos, os que devoram o meu povo, como um pedaço de pão?»


É sempre difícil começar um sermão, principalmente quando estamos seguros do que sentimos mas não de como iremos fazer passar a nossa mensagem. Decidi começar por esta simples passagem bíblica utilizada por Padre António Vieira no conhecido mas não absorvido "Sermão de Santo António aos Peixes", brilhante obra barroca em que as interrogações retóricas são constantes, em que se estabelecem paradoxos em torno dos modos de vida de uma época, em que o texto antitético ganha sentido perante a triste realidade que é a "raça humana", texto que por ser uma crítica assente em metáforas não se extingue em si mesmo mas serve de ensinamento para um povo, que passado quatro séculos contínua a ser comido, como o pão que, segundo Padre António Vieira, é o único alimento que se come sempre e continuamente, tal como os miseráveis da nossa nação que continuam a ser comidos.

Neste falado sermão, os peixes são repreendidos por se comerem uns aos outros, mas reparemos que até a maneira como servem de alimento é injusta, já repararam que é sempre o peixe maior que come o mais pequeno? E será que uma baleia se contenta com uma sardinha? Não, um poderoso come sempre muitos peixes pequenos, raia miúda que nasce para ser alimento e morre no estômago do opressor com o sentimento de missão cumprida. E depois de digerida, que dirá ela perante o tribunal divino? Será que Deus terá compaixão com quem teve medo de lutar com a dignidade de Luso, a força de Viriato e a coragem de D. Sebastião? É triste olhar para esta pátria, para este cherne que serve de alimento aos grandes, que se contenta em saciar o Império, que deixa a sua cultura ser absorvida e globalizada.

Que é feito da pátria? Que é feito do Rei? Quantas manhãs de nevoeiro se abaterão sobre as margens do Tejo até voltar D. Sebastião? E onde paira o nobre sapateiro Bandarra, que idealizou o V Império? Quantos "Concílios dos Deuses" serão precisos para que se permita levantar esta nação? Que viu perder as qualidades de Marte e Vénus para viver sobre o efeito de Baco, uma nação embriagada, tonta e perdida que já não se revê em si mesma.

Tal como citei na bíblia, por quanto tempo continuaremos a ignorar quem devora o nosso povo como pão? Não me acusem de radicalismo, ou como se vulgarizou chamar fundamentalismo, não me tomem por céptico, pois acredito no meu povo, VIII séculos de história não se perdem de um dia para o outro, mas convém estar sempre com os olhos bem abertos.

Vivemos em crise, quem ainda não ouviu isto? Mas porque será? Será mesmo por causa do falado défice? Será a conjuntura internacional e o temido terrorismo? "Tantas perguntas, tão poucas respostas..." (escrevia Brechet). Na verdade vivemos numa crise, mas de valores, estamos a perder a nossa identidade e a sermos absorvidos pelo mundo anglo-saxónico. É triste que tudo o que nos rodeie seja capital estrangeiro, é triste que os "Best-Sellers" sejam de J.K. Rowling e não de Saramago, é humilhante que se troque comida saudável por um King Burguer, é arrepiante ver alunos que não conhecem Miguel Torga serem bombardeados com horas e horas de inglês, é chocante sermos obrigados a participar em guerras que não são nossas, tudo porque estamos a ser absorvidos! Valerá a pena escrever este texto, quando sei que me irão tomar como tolo? "Tudo vale a pena se a alma não é pequena" (diria Pessoa).

Falo agora em tom de desabafo, sinto-me revoltado com a falsidade que envolve tudo quanto nos rodeia. Somos ignorados por todo o mundo e continuamos a servir quem nos oprime, continuamos a cultivar uma mentalidade em que o futuro é saber Inglês, estar actualizado sobre o "Dow Jones" e não perder as recentes novelas em torno da família real de Inglaterra.

Mas o que será feito do nosso rei? O que será feito da república? É preciso que exista uma reflexão profunda sobre a identidade nacional, é preciso repensar a pátria e o patriotismo para que nem mais um primeiro-ministro fuja do governo para se acomodar na Europa, para que voltem a haver governos com legitimação democrática, para que o nosso país não fique celebre por o governo não conseguir colocar cinquenta mil professores, para que a nossa pátria não seja falada lá fora por enviar barcos de guerra para vigiar activistas pela interrupção voluntária da gravidez e fundamentalmente para que não voltemos a ser arrastados pelos Estados Unidos e pela Inglaterra para uma guerra injusta, a guerra contra o terrorismo que não passa de um "show" bélico da luta desenfreada pelo petróleo. Um país que honra a sua pátria recusa-se a ver cair tudo que é património público, criando-se uma mentalidade falaciosa de que "tudo que é estado atrapalha".

Repensar a pátria e o patriotismo é termos orgulho no nosso passado e lutarmos por um futuro melhor, onde impere uma igualdade efectiva, onde haja liberdade para os comentadores expressarem as suas opiniões e onde os políticos não participem em "Realities Shows", onde as estrelas sejam os músicos, os poetas, atletas e pensadores e não figuras marginais de aspecto horrendo. Vamos repensar a nossa própria maneira de pensar a pátria.



"Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor braço de terra

Que é Portugal a entristecer –

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que fogo-fátuo encerra."

(Fernando Pessoa)

João Gomes

Jornal Labor

Thursday, October 07, 2004

Cavaco Silva: Portugal pode estar "perante um caso muito, muito grave"



O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva lamentou hoje a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI e considerou que caso tenha havido censura, mesmo encapotada, Portugal está "perante um caso muito, muito grave".

Em declarações à Rádio Renascença, Cavaco Silva considerou que se a saída de Marcelo Rebelo de Sousa "configura uma forma de censura, ainda que encapotada, uma limitação à liberdade de opinião própria de uma democracia pluralista", então o país está "perante um caso muito, muito grave".

Afirmando que as análises que Marcelo Rebelo de Sousa fazia na TVI todos os domingos tinham "indiscutível qualidade", Cavaco Silva considerou ainda ter havido "um tremendo erro da parte dos que estão por detrás do seu afastamento".

O ex-primeiro-ministro salientou, no entanto, que "só o próprio pode esclarecer o que se passou".

O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa anunciou ontem que cessou o comentário político que fazia no "Jornal Nacional" da TVI aos domingos, depois de uma conversa com o presidente do grupo Media Capital, Miguel Paes do Amaral.

A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa ocorreu dois dias depois de o ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, ter estranhado o silêncio da Alta Autoridade para a Comunicação Social em relação aos comentários, que classificou de "ódio", feitos pelo ex-presidente do PSD aos domingos na TVI.

Tuesday, October 05, 2004

Political Compass






Caros camaradas,

Finalmente está disponível a versão portuguesa do famoso "Political Compass", que é um pequeno "teste" que se destina a colocar o inquirido num gráfico político, determinando o seu grau ideológico (esquerda-direita, libertário-autoritário).

Tendo sido eu, apoiante de José Sócrates, estranho bastante ter ficado colocado mais à esquerda que o próprio Manuel Alegre, que também efectuou o teste! Afinal também sou de esquerda! Sinto-me contente por me ter dado conta que afinal, durante a campanha para secretário-geral, tinha sido injustamente acusado de desvios direitistas. Citando Sérgio Sousa Pinto, em pleno congresso: "Camarada Manuel Alegre,desculpe, mas também sou de esquerda!".

Saudações Socialistas!